Morre Manoel Carlos, o autor que transformou Helenas em espelho do Brasil
A televisão brasileira perdeu um de seus maiores gênios. Morreu aos 92 anos Manoel Carlos, o Maneco, escritor que marcou gerações com histórias profundas, emocionais e extremamente humanas. Dono de um estilo inconfundível, ele fez do cotidiano, da família e das relações afetivas o coração de suas novelas, criando tramas que até hoje seguem atuais.
O grande símbolo de sua obra foi a personagem Helena, um nome que virou assinatura. Mais do que protagonistas, as Helenas de Manoel Carlos representavam mulheres fortes, sensíveis, contraditórias e reais, sempre colocadas diante de grandes dilemas morais, familiares e amorosos.
A primeira Helena surgiu em Baila Comigo, interpretada por Lílian Lemmertz, inaugurando uma tradição que atravessaria décadas. Depois vieram Helenas marcantes vividas por grandes atrizes da televisão brasileira, como Regina Duarte, que se tornou a intérprete mais associada ao autor, estrelando História de Amor, Por Amor e Páginas da Vida.
Também deram vida às Helenas atrizes como Christiane Torloni (Mulheres Apaixonadas), Vera Fischer (Laços de Família), Maitê Proença (Felicidade) e Taís Araújo, que entrou para a história ao ser a primeira atriz negra a protagonizar uma Helena, em Viver a Vida. A última Helena escrita por Maneco foi interpretada por Júlia Lemmertz em Em Família, fechando um ciclo simbólico, já que Júlia é filha de Lílian Lemmertz, a primeira Helena.
Entre suas obras mais emblemáticas estão Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, História de Amor e Páginas da Vida. Suas novelas ficaram conhecidas por diálogos longos, cenas intensas, trilhas sonoras marcantes e debates de temas sociais como violência doméstica, preconceito, câncer, alcoolismo e relações familiares complexas.
Uma curiosidade marcante da carreira de Manoel Carlos é que muitas de suas histórias eram ambientadas no Leblon, no Rio de Janeiro, quase como um personagem fixo de suas tramas. Outra característica era o ritmo mais realista, com cenas extensas e foco total nas emoções, algo que dividia opiniões, mas consolidou seu estilo único.
