Sigilo de processos de Vorcaro cai, rede de corrupção começa a ser revelada
O caso Banco Master ganhou uma dimensão ainda maior nesta sexta-feira (11). O ministro André Mendonça retirou o sigilo de mais 38 procedimentos ligados às investigações, fazendo o total chegar a 53 processos com informações liberadas. A decisão abriu novas frentes envolvendo políticos, autoridades, empresários e pessoas próximas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
FLÁVIO BOLSONARO E DARK HORSE
Um dos pontos mais explosivos envolve o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e a relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro.
A Polícia Federal aponta Flávio como interlocutor direto do ex-banqueiro nas negociações para financiar a produção. Segundo os documentos, foram discutidos aportes de até US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, dos quais pelo menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros crimes.
Eduardo Bolsonaro também aparece nas apurações. Segundo a PF, ele teria orientado sobre formas de movimentar e administrar recursos destinados ao filme nos Estados Unidos. A investigação tenta esclarecer a origem do dinheiro, o caminho das transferências internacionais e quem seriam os beneficiários finais.
ALEXANDRE DE MORAES
Outro núcleo envolve as mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
O conteúdo mostra contatos entre os dois e mensagens do banqueiro relacionadas a uma possível operação da Polícia Federal, além de assuntos envolvendo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral Paulo Gonet.
Também foram divulgados contratos do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Um deles previa R$ 131 milhões em três anos para serviços jurídicos, compliance e consultoria estratégica, inclusive em procedimentos perante PF, Banco Central, Receita Federal e Cade. A PF apontou que uma versão do contrato foi editada por Moraes. O escritório afirma que os serviços foram prestados regularmente e nega irregularidade.
DINHEIRO, POLÍTICA E AUTORIDADES
As investigações também alcançam relações de Vorcaro com outros políticos e autoridades. Entre os nomes que aparecem em diferentes frentes estão Ciro Nogueira, Jaques Wagner, Cláudio Castro, ACM Neto, Davi Alcolumbre, Antonio Rueda, além de ministros do STF e integrantes do Banco Central.
As apurações envolvem suspeitas de vantagens indevidas, influência política, operações financeiras questionadas e possíveis favorecimentos. A retirada do sigilo permite agora conhecer melhor o conteúdo dessas investigações.
BANCO CENTRAL
Outro ponto grave envolve servidores e ex-dirigentes do Banco Central. Relatórios da PF apontam que Vorcaro teria custeado viagens e despesas de pessoas ligadas à instituição, enquanto as investigações apuram se houve vantagens indevidas para favorecer os interesses do Banco Master.
“A TURMA” E “OS MENINOS”
A investigação também aponta estruturas atribuídas a pessoas próximas de Vorcaro. A chamada “A Turma” é investigada por suspeitas de ameaças, intimidação e acesso clandestino a informações. Já “Os Meninos” aparecem relacionados a ataques cibernéticos e derrubada de perfis.
Há ainda uma frente sobre possíveis influenciadores contratados para construir uma narrativa favorável ao Master e a Vorcaro e atacar instituições ou pessoas que contrariavam seus interesses.
O caso, portanto, deixou de ser apenas uma investigação sobre uma possível fraude financeira. Os documentos agora abertos revelam uma rede que envolve dinheiro, política, Judiciário, Banco Central e influência sobre instituições públicas.
E o mais importante: a retirada do sigilo não significa que todos os investigados cometeram crimes. São apurações em andamento, e caberá à Justiça definir responsabilidades.
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