Vacina brasileira pode bloquear efeito da cocaína e do crack no cérebro

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Vacina brasileira pode bloquear efeito da cocaína e do crack no cérebro

Uma vacina desenvolvida por cientistas brasileiros pode mudar o tratamento da dependência de cocaína e crack. A Calixcoca foi criada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, e já apresentou resultados promissores em testes realizados antes da aplicação em seres humanos.

A pesquisa começou em 2015 e funciona de uma maneira diferente das vacinas tradicionais. O produto estimula o organismo a produzir anticorpos que se ligam à cocaína no sangue, formando uma estrutura maior que tem dificuldade para atravessar a barreira que protege o cérebro. Com isso, a droga deixa de produzir os efeitos de euforia e recompensa que ajudam a manter o ciclo da dependência.

Nos testes com animais, os pesquisadores observaram produção de anticorpos, redução da chegada da cocaína ao cérebro e diminuição dos efeitos provocados pela droga. Os resultados também indicaram potencial para ajudar na prevenção de recaídas.

Mas existe um detalhe importante: a Calixcoca ainda não está disponível para a população e não foi comprovada como uma cura para o vício.

A pesquisa concluiu a etapa pré-clínica e, em 2026, os cientistas estavam preparando a documentação para solicitar à Anvisa autorização para iniciar a fase 1 dos testes em seres humanos. Essa primeira etapa deverá avaliar principalmente a segurança, a tolerância e possíveis efeitos colaterais.

A expectativa apresentada pelos pesquisadores é iniciar os testes em humanos nos próximos anos e, caso todas as etapas apresentem resultados positivos, transformar a tecnologia em um produto disponível em aproximadamente três ou quatro anos. Isso aponta para uma possível chegada ao público entre 2029 e 2030, mas o prazo pode mudar.

A Calixcoca não pretende substituir o acompanhamento médico e psicológico. A ideia é que, se comprovada sua eficácia, seja utilizada principalmente como uma ferramenta para ajudar pessoas que já estão em tratamento a evitar recaídas.

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