Tapete verde toma conta do Tietê e revela poluição que desce da capital ao interior

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Tapete verde toma conta do Tietê e revela poluição que desce da capital ao interior

O avanço de água-pé no Rio Tietê voltou a chamar atenção em diversos trechos do interior paulista. Em alguns pontos, a planta forma verdadeiros tapetes verdes sobre a água, dificultando a navegação, impactando a pesca e alterando o equilíbrio ambiental do rio.

O fenômeno não acontece por acaso. Especialistas explicam que o crescimento acelerado do água-pé está diretamente ligado à poluição que percorre o Tietê desde a capital até o interior do Estado de São Paulo. O excesso de esgoto doméstico, resíduos industriais e fertilizantes agrícolas despejados no rio aumenta a concentração de nutrientes como nitrogênio e fósforo — exatamente o que alimenta a proliferação da planta.

O processo é conhecido como eutrofização. Quanto maior a carga de poluentes, maior a oferta de “alimento” para o água-pé, que se multiplica rapidamente na superfície da água.

Embora a planta tenha papel ecológico importante quando em quantidade equilibrada, ajudando na absorção de impurezas, o excesso provoca efeitos negativos.

Entre os principais impactos estão:

• Redução da oxigenação da água
• Prejuízo à fauna aquática
• Dificuldade na navegação
• Acúmulo de matéria orgânica
• Mau cheiro em períodos de decomposição

O aumento expressivo do água-pé é, na prática, um indicador visível da poluição do Rio Tietê. A vegetação excessiva não é a causa do problema, mas sim consequência da carga de esgoto e resíduos que continuam sendo lançados ao longo do percurso do rio.

Enquanto não houver controle efetivo da poluição e ampliação consistente do tratamento de esgoto, o cenário tende a se repetir, com o interior paulista recebendo os reflexos de um problema que começa na região metropolitana e se estende por centenas de quilômetros.

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