Tatiana Nascimento coloca o Brasil no mapa da ciência com tratamento que já fez pacientes voltarem a andar
Uma pesquisa brasileira que parecia impossível virou realidade e hoje já mostra resultados concretos em pessoas. A cientista Tatiana Coelho de Sampaio, conhecida como Tatiana Nascimento, desenvolveu uma substância capaz de ajudar na reconexão de nervos da medula, algo que durante décadas foi tratado como definitivo pela medicina.
O trabalho começou em 1997, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e avançou ao longo de mais de duas décadas até chegar aos testes em humanos. A substância, chamada polilaminina, age como uma espécie de ligação entre células nervosas, ajudando o corpo a reconstruir caminhos interrompidos após lesões graves.
Os resultados já não ficam só no laboratório. Até agora, pelo menos 16 pessoas no Brasil já receberam o tratamento, somando pacientes dos estudos iniciais e também casos autorizados por decisão judicial. Entre esses pacientes, há registros de recuperação de movimentos, sensibilidade e até de pessoas que voltaram a andar após anos sem conseguir se mexer.
A trajetória da descoberta também é marcada por dificuldades. O pedido de patente começou em 2007, ainda no início do desenvolvimento da tecnologia. O Brasil conseguiu garantir a patente nacional, que chegou a ser mantida com recursos da própria cientista, que bancou custos do próprio bolso para não perder o direito sobre a criação.
Já a patente internacional acabou sendo perdida por falta de pagamento das taxas, consideradas altas. Segundo a própria pesquisadora, isso aconteceu em um período de cortes de verbas nas universidades, principalmente entre 2015 e 2016, durante os governos Dilma Rousseff e Michel Temer, quando faltaram recursos para manter o registro fora do país.
Nos anos seguintes, durante a gestão de Jair Bolsonaro, também houve bloqueios e novos cortes nas universidades federais, com redução de verbas de custeio e investimento. Mesmo assim, a pesquisa não parou.
Tatiana seguiu com o trabalho, manteve os estudos ativos e conseguiu avançar até o estágio atual, com testes em andamento e autorização para novas etapas. O que já foi observado até aqui quebra uma ideia antiga da medicina: a de que lesões na medula não têm recuperação.
A pesquisa continua, ainda em fase controlada, mas com resultados que já colocam o Brasil como protagonista em uma possível virada histórica na área da saúde.








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